Cacoal, Ji-Paraná e Ariquemes fizeram parte da rota de 24 estudantes da 2ª turma do Mestrado Profissional do Projeto Rural Sustentável – Amazônia, para vivenciar, na prática, as cadeias produtivas do café robusta amazônico e de peixes redondos, em Rondônia. Na cadeia do café, a imersão começou no Selva Café – uma marca local de cafés de alta qualidade – e também no território Paiter Suruí, que usam práticas produtivas sustentáveis. Já para peixes redondos, houve uma capacitação de aspectos técnicos da cadeia – legislação, licenciamento e sanidade dos peixes –, além da aula prática de filetagem de tambaqui. A ideia é conhecer as demandas locais, para trazer soluções práticas por meio das pesquisas.
Relembre como acontece o Mestrado Profissional
O curso de pós-graduação foi desenvolvido, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), para aprofundar os estudos de quem faz parte do PRS – Amazônia, em temáticas relacionadas à sustentabilidade na Amazônia. A capacitação tem duração média de 18 a 24 meses, com três semanas de aulas presenciais nos estados de atuação do Projeto: Amazonas, Pará e Rondônia. O objetivo principal é oferecer oportunidades para que continuem sua trajetória acadêmica e desenvolvam pesquisa com soluções práticas para a realidade local.
Aulas na UNIR promovem troca de conhecimentos sobre tecnologia, piscicultura e valorização das cadeias produtivas do estado
A semana de aulas proporcionou diferentes momentos de trocas de experiências sobre produção, sistematização de dados, regularização, agregação de valor e comercialização. Na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), a programação trouxe uma imersão em diferentes campi: em Cacoal, os mestrandos visitaram o Hub de Gestão e Inteligência no Agronegócio, para conhecer soluções tecnológicas voltadas ao apoio de produtores no dia a dia.
Já no campus de Ji-Paraná, os(as) estudantes participaram de um Seminário Técnico de Imersão na Piscicultura, com destaque para legislação, licenciamento e sanidade dos peixes, além de terem contato com sistemas de bioflocos – fontes naturais de alimento para espécies aquáticas – e tecnologias desenvolvidas pela própria universidade. “A programação também incluiu uma palestra sobre cortes comerciais de peixes que agregam valor comercial. Vimos na prática os tipos de processo de filetagem do tambaqui com demonstração de vários tipos de cortes”, compartilha o mestrando Adão Ferreira.
Entre trocas de experiências e apresentação de iniciativas desenvolvidas no estado de Rondônia, o prof. dr. Ricardo Bastos da UNIR destacou as ações em andamento e a importância dessa conexão com os estudantes do Mestrado.“Ficamos muito felizes em receber alunos da pós-graduação da Universidade Federal do Pará, do Mestrado Profissional do PRS – Amazônia, para uma troca de experiências, mostrar a realidade da piscicultura no estado e o esforço que estamos fazendo como Universidade Federal de Rondônia, com o programa de apoio à aquicultura do estado, juntamente com o Ministério da Pesca e Aquicultura, para melhoria da agricultura”, compartilha.
Dias de campo fortalecem aprendizado nas cadeias produtivas do café e de peixes redondos
Visitas a terras indígenas, a sistemas agroflorestais e a uma unidade produtiva modelo fizeram parte de um trajeto imersivo e cheio de novidades nas cadeias do café robusta amazônico e de peixes redondos. O percurso começou no Selva Café, em Cacoal (RO), onde os alunos e alunas puderam conhecer diferentes formas de produção na região, como a cafeicultura tradicional, a tecnificada e o processo de industrialização do grão. De lá, o caminho seguiu para a Gap Ey e para comunidade Yabnaby, para conhecer mais sobre a cafeicultura tradicional indígena e a relação entre produção, cultura e território e como essa junção torna o sabor do café único.


A mestranda Diana Castro, de Belém (PA), compartilha o que tem vivenciado durante as semanas de aulas presenciais e sua experiência na cadeia do café. “As experiências em campo têm enriquecido muito a teoria. Nada mais valioso do que vivenciar as experiências no chão. E quando a gente tem a oportunidade de vir até Rondônia, dentro da terra indígena e observar a organização deles, a gente vê o quanto a Amazônia é rica. Vivenciamos a experiência do café, que é uma experiência que não acontece no Pará ou que acontece diferente no Amazonas. Então, ao mesmo tempo que a gente vivencia “amazônias” diferentes, compreendemos a teoria e trazemos a nossa contribuição para cá, assim como levamos”, destaca.
Em seguida, a visita continuou na COOPERCACOAL, mais uma Organização Socioprodutiva (OSP) parceira do Projeto, para ver o processo do grão beneficiado e transformado em um produto com maior valor agregado. O mestrando Éneias Maciel, do município de Cametá (PA), destacou como a visita vai impactar a sua pesquisa sobre cacau de várzea e sua atuação no município. “Essa visita foi impactante porque lá os produtores desenvolvem vários produtos, como o cacau, o café e o cupuaçu, e utilizam um sistema de comercialização que são os mercados institucionais, como o PNAE e o PAA. Então, eu percebi que há um mercado aberto para esse público. E pra mim, vai ser importante porque eu vou conseguir trabalhar algumas dessas metodologias na minha região e qualificar meu serviço […]. O PRS – Amazônia tem sido um ponto crucial para o meu desenvolvimento técnico e científico, porque nos oportuniza conhecer outras realidades e colocarmos a pesquisa em prática”, compartilha.
Já a segunda parte do roteiro levou o grupo à cadeia de peixes redondos, iniciando pelo Complexo Zaltana, para compreender a base da alimentação na piscicultura e todas as etapas de processamento do peixe, do manejo à industrialização. O percurso seguiu para Unidade Demonstrativa da Agricultura Familiar, a Coaprav, uma agroindústria consolidada na região, que mostrou os sistemas de criação em tanques escavados e suspensos e como a cooperativa contribui para dar estrutura à piscicultura no município.
A visita à OSP foi um dos momentos mais impactantes para o mestrando Adão Ferreira. “Essa experiência foi fantástica, conhecemos um pouco das Organizações Socioprodutivas, da economia e o quanto a cadeia de peixes redondos e do café são importantes para o estado. Acho que todo mundo sai daqui satisfeito, não só para termos insumos suficientes para as nossas pesquisas, mas para termos, como pessoas, um olhar para o desenvolvimento da nossa Amazônia”, finaliza o mestrando.
Essas e outras experiências da semana de aulas presenciais reforçam o compromisso do Mestrado Profissional do PRS – Amazônia: ser uma formação acadêmica conectada ao território, conduzida a partir do diálogo com diferentes realidades e contextos produtivos. Continue acompanhando a trajetória dos mestrandos e mestrandas e outras histórias do projeto pelas redes sociais.
Confira mais momentos da semana presencial!







