ATECs do Amazonas, Pará e Rondônia recebem treinamento para aprimorar assistência técnica oferecida às 30 OSPs

Encontros reuniram mais de 50 agentes para ampliar conhecimentos sobre as seis cadeias produtivas, trocar experiências e fortalecer ATER

Legislação e acordos de pesca para o manejo sustentável do pirarucu no Amazonas, qualidade da água e sanidade na piscicultura em Rondônia, e boas práticas para o cultivo de cacau em agroflorestas no Pará estiveram entre os temas abordados nos treinamentos de Agentes de Assistência Técnica (ATEC) realizados pelo Projeto Rural Sustentável – Amazônia, nos três estados de atuação. Os encontros reuniram mais de 50 agentes com o objetivo de ampliar conhecimento sobre as seis cadeias produtivas, trocar experiências e aprimorar a assistência técnica oferecida às 30 Organizações Socioprodutivas(OSPs) parceiras. As capacitações foram planejadas a partir do contexto local e produtivo, considerando as demandas das famílias produtoras e agroextrativistas que fazem parte das organizações. 

Thaís Dias, coordenadora da frente de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) do Projeto, destacou a importância desses encontros para fortalecer a atuação dos profissionais que levam conhecimento e práticas sustentáveis às mais de 1.400 famílias. “O objetivo do treinamento foi ter um momento de trocas de experiências e vivências com os nossos ATECs, que trabalham nas seis cadeias produtivas priorizadas pelo PRS – Amazônia, além de contribuir para o arcabouço técnico desses profissionais que multiplicam as práticas sustentáveis difundidas pelo projeto”, conta.

Capacitação fortalece atuação de ATECs nas cadeias de peixes redondos e café em Rondônia

ATEC, Leonardo Ribas Amaral, da cadeia do café

Ele conta: “O treinamento representa a transparência das ações da trilha de ATER do Projeto e do público beneficiário envolvido, facilitando o entendimento da dinâmica de atuação dos técnicos em campo. A formação também ampliou nossa compreensão sobre a diversidade cultural presente nos territórios, contribuindo para integrar os conhecimentos técnicos aos sistemas sustentáveis de produção desenvolvidos pelas comunidades”, explica. 

 

Em Rondônia, a capacitação reuniu Agentes Técnicos de Campo (ATECs) que prestam assistência técnica às famílias das cadeias produtivas de peixes redondos e do café, respectivamente. O encontro começou com uma programação conjunta voltada a temas gerais da assistência técnica, criando um espaço de troca entre profissionais que atuam nos dois contextos produtivos. Na sequência, os participantes seguiram para atividades específicas de cada cadeia, com conteúdos atuais e uma abordagem participativa conduzida pela EMATER-RO, Projeto ProAQUA, da Universidade Federal de Rondônia, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e pela equipe do Projeto. 

No caso da cadeia de peixes redondos, foram abordados temas como regularização ambiental, qualidade da água e sanidade na piscicultura, controle de doenças e práticas produtivas sustentáveis. Para a técnica, Ademilde Duarte Monteiro, de Monte Negro (RO), a capacitação contribui para fortalecer uma atividade que tem grande potencial de crescimento no estado. “O treinamento foi de grande importância para o contexto de Rondônia, especialmente por abordar três pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável da piscicultura regional: sanidade, mercado e licença ambiental. Rondônia possui um enorme potencial para a criação de peixes redondos, como o tambaqui e o colossoma, dado o clima, a disponibilidade hídrica e a tradição das comunidades ribeirinhas com a pesca e a aquicultura. No entanto, a cadeia produtiva ainda enfrenta gargalos importantes que limitam o crescimento do setor”, destaca.

Segundo ela, os conhecimentos compartilhados durante o treinamento ajudam os ATECs a orientar os produtores com mais segurança e eficiência. Isso fortalece o trabalho realizado no campo, melhora o acesso às políticas públicas e contribui para o desenvolvimento sustentável da piscicultura no estado. 

Já na cadeia produtiva do café, muitas das temáticas foram relacionadas à atuação junto a povos indígenas, abordando temas como salvaguardas, planejamento das atividades em campo e ATER participativa, considerando os saberes ancestrais e cultura local. O assunto é especialmente importante em Rondônia, onde o Projeto atua com 3 OSPs indígenas. Leonardo Ribas Amaral, de Rolim de Moura (RO), técnico da empresa Terrapilheira, destacou que o treinamento ajudou a tornar mais clara a atuação dos profissionais nos territórios. 

Com uma abordagem alinhada às especificidades de cada cadeia produtiva, a capacitação buscou qualificar a atuação dos(as) ATECs no estado, fortalecendo a capacidade de dialogar em diferentes contextos e de apoiar as famílias produtoras diante de seus desafios, oportunidades e perspectivas de crescimento.

Formação fortalece atuação de ATECs junto às OSPs das cadeias do cacau e do açaí

Trocar experiências, compartilhar aprendizados e aprofundar conhecimentos sobre as cadeias produtivas do cacau e do açaí foi também objetivo da capacitação que reuniu Agentes Técnicos de Campo (ATECs) da empresa Muiraquitã no Pará. O encontro abordou inicialmente temas transversais da assistência técnica, como regularização ambiental e relacionamento com as comunidades, antes de avançar para conteúdos específicos de cada cadeia produtiva. As atividades contaram com a contribuição técnica de instituições como SEMAS-PA, INCRA, MAPA/GGE e a EMATER-PA, que compartilharam conhecimentos e experiências no campo. 

Na cadeia do cacau, temas como boas práticas em Sistemas Agroflorestais (SAFs), acesso a crédito rural, árvore de problemas e Planos ABC+ estiveram entre os destaques da programação. Para Romildo Xavier, que atuou em Tucumã (PA) pela empresa Muiraquitã, um dos maiores ganhos foi a oportunidade de aprender com profissionais de diferentes áreas e vivências. “O treinamento ocorrido proporcionou troca de conhecimento devido ao envolvimento com atores de diversas entidades e áreas de atuação, tais como regularização ambiental e fundiária, crédito rural, manejo de pragas e doenças, fertilidade de solos e nutrição de plantas. Mais que um case de sucesso, também são apresentadas as dificuldades e superações, gerando maior aprendizado comparado a uma palestra ou algo mais teórico”, conta sobre a atividade realizada no final do ano passado. 

Já para os agentes que atuam na cadeia do açaí, como a Letícia Hungria, que também atua na  Muiraquitã, a capacitação ajudou os profissionais a compreender melhor os desafios e as potencialidades do bioma amazônico. “No estado do Pará, a assistência técnica enfrenta desafios como longas distâncias, dificuldade de acesso às comunidades rurais e ribeirinhas, além de limitações estruturais para acompanhamento contínuo das famílias. A capacitação contribui para fortalecer o olhar técnico e metodológico dos profissionais, tornando a atuação mais consistente, contextualizada e alinhada às realidades dos territórios amazônicos e às demandas da agricultura familiar, com foco em soluções mais adequadas e sustentáveis”, afirma.

Assistência técnica realizada na cadeia do açaí

Um dos aprendizados que mais chamou a atenção de Letícia foi a importância de olhar para a cadeia do açaí como um todo, conectado à produção, sustentabilidade e mercado. “Além disso, o encontro ofereceu aprendizados sobre a melhor maneira de conduzir a relação com as comunidades e povos tradicionais, respeitando seus modos de vida, saberes locais e dinâmicas próprias de organização social e produtiva. Esse olhar mais sensível e contextualizado permite uma atuação mais respeitosa e alinhada às realidades de comunidades ribeirinhas e extrativistas”, conta.

Ao final da capacitação, os(as) ATECs levaram consigo novos conhecimentos e ferramentas para aprimorar a assistência prestada às famílias produtoras de cacau e açaí. Os conteúdos contribuíram para se aprofundar em diferentes etapas da produção, desde o planejamento das atividades em campo até a adoção de práticas mais sustentáveis e o acesso a mercados, ampliando as oportunidades de desenvolvimento das duas cadeias produtivas.

Do acordo de pesca do pirarucu à produção da castanha no Amazonas: ATECs ampliam conhecimento para o trabalho em campo 

No Amazonas, ATECs participaram da capacitação voltada às cadeias da castanha-do-Brasil e do pirarucu em outubro do ano passado. Assim como nos demais estados, a programação combinou momentos coletivos de troca de experiências e aprendizado com atividades direcionadas às especificidades de cada cadeia produtiva. Um dos pontos destacados durante a capacitação foi a necessidade de adaptar a assistência técnica às características dessas cadeias. Como o manejo do pirarucu e a coleta da castanha são atividades realizadas de forma coletiva pelas comunidades, a atuação da ATER também precisa considerar essa dinâmica, valorizando a participação, o planejamento conjunto e a organização comunitária. 

A programação abordou características, desafios e oportunidades das cadeias e estratégias para aprimorar a assistência técnica às famílias atendidas pelo Projeto, com a participação de representantes do IDAM, SEMA, SEPROR, IBAMA e do MAPA/GGE.

Na cadeia do pirarucu, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre a legislação do manejo, os acordos de pesca e a atuação em Terras Indígenas. O encontro também abriu espaço para discutir desafios comuns da região, como as longas distâncias, o acesso às comunidades e etapas do processo produtivo. 

 

Para Ítalo Braga, ex-coordenador da Apoema Consultoria, que orientou famílias das duas cadeias: “Esse treinamento teve uma importância muito grande para a realidade do Amazonas, principalmente porque fortalece o trabalho dos ATECs dentro das comunidades e amplia nossa visão sobre desenvolvimento sustentável. O contexto amazônico possui muitos desafios relacionados à logística, acesso às comunidades e valorização da produção local, então capacitações como essa ajudam a alinhar conhecimento técnico, social e ambiental, tornando nossa atuação mais eficiente e próxima da realidade dos produtores”, afirma.

 

Segundo ele, o principal aprendizado foi a importância do planejamento produtivo junto à organização comunitária nas cadeias da castanha e do pirarucu. O treinamento também trouxe ferramentas práticas de comunicação e escuta, que ajudam a melhorar o diálogo com as famílias e o trabalho em campo.

Nos três estados, as capacitações reforçaram a importância da formação contínua dos ATECs e o compromisso do Projeto em garantir uma assistência técnica de qualidade, adaptada às diferentes realidades e eficaz no apoio às OSPs parceiras. 

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn