Projeto amplia assistência técnica no Pará e apoia OSPs do cacau e do açaí em diferentes etapas das cadeias produtivas

Com práticas adaptadas a cada território, a assistência técnica impulsiona manejo sustentável, qualidade do produto e organização coletiva

Do manejo sustentável dos açaizais à secagem do cacau, a assistência técnica do Projeto Rural Sustentável – Amazônia vem promovendo mais autonomia, confiança e oportunidades para agricultores e agricultoras no Pará. No estado,  13 Organizações Socioprodutivas (OSPs) das cadeias do açaí e do cacau estão recebendo Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) adaptada aos diferentes contextos locais e produtivos, com foco no aumento da produtividade, geração de renda e manutenção da floresta em pé. Com acompanhamento contínuo, escuta atenciosa e propostas  adaptadas a cada família, o Projeto tem atendido OSPs em diferentes estágios – algumas em fase avançada de visitas técnicas, outras iniciando a caminhada com grandes expectativas.

Relembre como acontece a assistência técnica no Projeto

Você sabe como a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) acontece, na prática, dentro do Projeto? Mais do que um serviço, ela é presença no campo, parceria e construção conjunta. Estamos falando de um acompanhamento próximo às famílias produtoras rurais e agroextrativistas parceiras no Pará, Amazonas e Rondônia, para fortalecer a produção, a comercialização e a qualidade de vida de quem produz.

No Projeto, a ATER começa pela escuta e diálogo. É a partir do respeito às realidades locais e da valorização dos saberes tradicionais que as ações ganham forma. Após entrarem no Projeto, o(a) Agente de Assistência Técnica (ATEC) chega em cada OSP com o propósito de somar conhecimento técnico às experiências de quem vive e produz no território há gerações. Assim, as práticas sustentáveis são planejadas de forma participativa, buscando atender os anseios de cada família e OSP. 

Aqui, as organizações percorrem uma trilha de atividades ajustada a cada cadeia produtiva e às características das famílias atendidas – tudo para entender suas principais demandas, objetivos e as oportunidades. Em algumas cadeias, como a do pirarucu e da castanha-do-Brasil, o acompanhamento é coletivo, fortalecendo o trabalho em grupo e a gestão compartilhada dos recursos. Já em cadeias como café, peixes redondos, açaí e cacau, a assistência é individualizada, permitindo um olhar atento às necessidades específicas de cada família. Assim, a ATER no Projeto consiste em um processo colaborativo e efetivo rumo a caminhos mais sustentáveis e prósperos.

Na cadeia produtiva do açaí, a assistência técnica amplia a produção a partir da troca de saberes 

No último ano, 3 OsPs do açaí, no estado do Pará, receberam assistência técnica pelo Projeto, com visitas técnicas voltadas a ajustar práticas, tirar dúvidas e dar continuidade às atividades planejadas juntamente às famílias participantes. Com a entrada de 3 novas organizações, chegou a vez de iniciar a trilha metodológica de ATER, fortalecendo e incentivando essas famílias a adotarem e/ou melhorarem práticas sustentáveis em suas propriedades.

A etapa das visitas serve para colocar esses anseios em prática e serem espaços de troca entre a equipe técnica e os agricultores, onde são discutidos temas relacionados ao manejo, à organização da produção e às perspectivas de fortalecimento das atividades no território, no caso da cadeia produtiva do açaí. Segundo o monitor de campo, Luiz Felipe, “a partir desse diagnóstico inicial, as visitas passam a focar em ações mais práticas, como a construção de viveiros e composteiras, com o objetivo de permitir que os próprios produtores produzam os insumos necessários para a formação de mudas. Essas mudas são posteriormente utilizadas na implantação e no adensamento das áreas produtivas, fortalecendo o sistema produtivo local”, destaca.

Visitas de ATER na AMARQUISI

Muitas dessas OSPs estão recebendo assistência técnica pela primeira vez, como acontece com a OSP AMARQUISI. Segundo Mariele dos Santos, secretária na OSP, a chegada da equipe do Projeto mostrou  que o manejo dos açaizais ainda estava em um estágio bastante inicial, com pouca orientação técnica sistematizada. Mas para ela, a experiência tem fortalecido o manejo, ampliado a capacidade produtiva e construído confiança. “A gente nunca tinha recebido assistência técnica na nossa área. Essa foi a primeira vez, e a equipe técnica foi de fundamental importância. São pessoas muito competentes, de uma delicadeza muito grande, que conseguiram conversar com a comunidade, colocar as propostas e adequá-las ao nosso cotidiano, à nossa realidade”, fala. 

A experiência das organizações que já estão há mais tempo no Projeto tem inspirado e incentivado aquelas que estão começando agora, como a Associação de Moradores e Agricultores do Igarapé Baiaquara (AMAIB), localizada no município de Acará, que passou a integrar o Projeto com grandes expectativas.

Edelize Conceição, associada da AMAIB

De acordo com a associada Edelize Conceição, os resultados desse acompanhamento já podem ser percebidos no dia a dia das comunidades. “A assistência técnica tem ajudado na forma de trabalhar para aumentar a nossa produção. Estamos aprendendo a como trabalhar em composteira, sementeira e manejo de mínimo impacto.  Isso mudou nossa visão de manejo, percebemos que estávamos caminhando para uma monocultura, ou seja, tirando outra espécie e plantado só açaí. Mas vocês nos fizeram entender que isso é muito ruim, tanto pro meio ambiente quanto para produção, porque empobrece o solo. Agora, em muitas áreas, vamos ter novas espécies”, finaliza. 

 

Edenilze Conceição Silva, secretária na organização, destaca que a chegada da assistência técnica representa um marco para a comunidade. “As expectativas são as melhores possíveis, pois os agricultores da nossa localidade nunca tiveram isso, portanto, vai ser muito importante para todos nós”, compartilha animada. Para ela, o acompanhamento técnico vai impulsionar a organização e ajudar no dia a dia. “A assistência técnica ajudará a dar um gás na nossa entidade. Os agricultores irão aprimorar seus conhecimentos, e isso trará bons resultados para a produção agrícola das famílias, melhorando a renda e a qualidade de vida delas”, destaca.

Assim, ao mesmo tempo em que fortalece quem já está em fase avançada de acompanhamento, a ATER abre novos caminhos para as organizações que acabam de chegar, criando uma rede de aprendizado, troca e crescimento conjunto. No Pará, a assistência técnica contínua é presença no território, valorização das comunidades e construção de um futuro mais sustentável para a cadeia do açaí e para as famílias que dela vivem. 

Uma ATER que fortalece cada etapa da cadeia produtiva do cacau

Se no açaí a assistência técnica já vem gerando transformações, na cadeia do cacau ela também começa a deixar resultados visíveis nos territórios paraenses. Atualmente, 4 organizações já estão em fase de visitas técnicas, enquanto mais 3 iniciaram a ATER recentemente, chegando ao Projeto com grandes expectativas e com o desejo de fortalecer sua produção. Em cada comunidade, o trabalho acontece com diálogo e planejamento, respeitando o tempo das famílias e incentivando a participação de todos e todas. 

Os avanços também já podem ser sentidos por quem atua diretamente no campo e acompanha de perto a rotina dos associados e associadas. Em São Félix do Xingu (PA), Dona Maria Josefa Machado Neves, presidente da AMPPF – uma associação formada majoritariamente por mulheres – destaca a importância do acompanhamento técnico para fortalecer o trabalho das produtoras e produtores da comunidade. “O acompanhamento, os ensinamentos, tem ajudado bastante cada produtor. Eu acredito que cada visita que eles fazem é um aprendizado para podermos evoluir com os nossos plantios e para saber como fazer. A gente também teve dias de campo muito bons, então, vai ajudar bastante”, compartilha. 

Segundo a monitora de campo, Cláudia Olimpo, as atividades de ATER têm contribuído especialmente para a melhoria do manejo das lavouras, a organização dos processos produtivos e o aumento da qualidade das amêndoas e comercialização. “Um exemplo disso é o apoio na padronização de práticas de colheita e pós-colheita, especialmente na fermentação e secagem, o que impacta diretamente na qualidade das amêndoas e no acesso a mercados diferenciados. Em algumas OSPs, já é possível observar maior organização interna e melhor entendimento sobre custos e planejamento produtivo”, conta.

Visita de ATER na AMPPF

Se para algumas organizações do cacau os resultados já são percebidos no dia a dia, para outras a chegada efetiva da assistência técnica representa um novo começo. É o caso da Associação de Micro e Pequenos Empreendedores Rurais do Pau Ferrado (ASPROFERRO), localizada em Tucumã (PA). O presidente da associação, Claudson Ferreira da Silva, conta que as visitas de diagnóstico já foram realizadas e a expectativa, agora, é que o acompanhamento oriente os(as) produtores(as) na melhoria do cultivo do cacau, especialmente na adubação correta e nas podas, contribuindo para elevar a qualidade e a produtividade. “Estamos com a expectativa de melhoria no cultivo do cacau, orientando na forma correta de adubação e podas”, pontua. 

Claudson Ferreira da Silva, ao centro, presidente da ASPROFERRO

Claudson compartilha que os objetivos da associação vão além da produção. “O Projeto vai contribuir muito para a comunidade, vai desenvolver e fortalecer os produtores. Queremos comprar insumos em conjunto, conseguindo preços melhores, vender a produção com mais poder de negociação, incentivar cada vez mais a agricultura sustentável e muito mais”, destaca. Para ele, o Projeto terá papel fundamental nesse processo, contribuindo para o desenvolvimento local e fortalecimento dos produtores e produtoras da região.

Na cadeia do cacau, a assistência técnica tem se consolidado como uma trajetória conjunta de aprendizado, organização e fortalecimento coletivo. E à medida que novas organizações iniciam essa caminhada, as duas cadeias produtivas vão somando saberes coletivamente e ganhando protagonismo local. Continue acompanhando para conhecer os próximos passos dessa trajetória e os frutos que ainda estão por vir!

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