O Projeto Rural Sustentável – Amazônia conquistou o Prêmio Seafood Innovation Show com o Protocolo de Produção do Tambaqui Sustentável, reconhecido entre as principais inovações socioambientais da cadeia do pescado no país. Durante a Seafood Show Latin America 2026, em São Paulo (SP), o Projeto também promoveu a degustação de pescados amazônicos no estande, rodadas de negócios e uma demonstração de desossa de um pirarucu selvagem de 140 kg com manejadores do Amazonas. As atividades aproximaram organizações parceiras de mercados mais competitivos que deram visibilidade a modelos de produção que geram renda, valorizam a sociobiodiversidade amazônica e contribuem para manter a floresta em pé.
A participação do Projeto na Seafood Show 2026 marca o encerramento de um ciclo importante da frente de Cadeia e Mercado, que, nos últimos anos, buscou aproximar as 30 Organizações Socioprodutivas (OSPs) apoiadas e as mais de 1.400 famílias produtoras e agroextrativistas dos mercados públicos e privados, por meio de seminários, feiras e rodadas de negócios. Para Pedro Xavier, coordenador da frente, esse momento também representa o início de uma nova etapa para as organizações parceiras, que levam consigo as conexões e os aprendizados construídos dessa parceria.
“O principal legado está justamente no que permanece nos territórios, nas organizações e nas relações construídas ao longo desses anos. Talvez o maior resultado seja justamente deixar organizações mais preparadas para continuar acessando mercados depois do Projeto e, ao mesmo tempo, deixar uma rede de parceiros, compradores e instituições que hoje conhecem melhor essas cadeias. O desafio daqui para frente é transformar as oportunidades abertas pelo PRS-Amazônia em relações comerciais duradouras, com recompra, aumento de renda e maior autonomia das organizações”, destaca Pedro.
Esse aprendizado, segundo ele, passa pela ideia de que produzir bem é apenas uma parte do caminho para conquistar novos mercados. “O Projeto buscou ampliar a compreensão das OSPs de que acessar mercados exige, além de uma produção de qualidade, também conhecer custos, organizar a oferta, melhorar a gestão, compreender exigências dos compradores, aprimorar apresentação, documentação, logística e capacidade de negociação. Em vários casos, as organizações passaram a dialogar diretamente com empresas, compradores institucionais e outros atores com os quais antes tinham pouca ou nenhuma relação”, complementa.
Protocolo de produção do tambaqui sustentável conquista o prêmio Seafood Innovation Show
Produzir um pescado de qualidade, conservando a natureza e valorizando quem está na base da cadeia produtiva. Essa combinação levou o Protocolo de Produção do Tambaqui Sustentável de Rondônia, desenvolvido pelo Projeto, a conquistar o Prêmio Seafood Innovation Show, que reconhece iniciativas inovadoras no setor.
O protocolo de produção sustentável foi lançado durante o Seafood Talk Show, um espaço de debates, palestras e painéis, onde o Projeto apresentou caminhos na produção de pescados para a conservação da floresta enquanto gera benefícios para os produtores locais.
Um resultado dessa iniciativa foi a parceria estabelecida com a agroindústria Pescados Rodrigues (COLOCAR O ARROBA DELES), do Vale do Paraíso (RO), que aderiu ao protocolo de produção sustentável do tambaqui e passou a remunerar melhor os piscicultores que adotam medidas de conservação, como a recuperação de nascentes, a proteção dos rios e a redução do desmatamento.



Ao falar sobre a conquista, Elivelton Rodrigues, dono da Pescados Rodrigues, fez questão de compartilhar o reconhecimento com quem está na base da cadeia produtiva: piscicultores e profissionais que trabalham diariamente para fortalecer a atividade na região. “Esse prêmio não é meu, é dos piscicultores da Amazônia, é dos peixeiros e peixeiras de todo o Brasil. E essa é a prova que a gente está fazendo um trabalho certo, sustentável e viável. […] E, hoje, estamos aqui, sendo premiados com o protocolo de tambaqui sustentável com o PRS – Amazônia”, compartilha emocionado.
Camila Sande, gerente da frente de Cadeias e Mercados do Projeto, também destacou a importância de reconhecer o papel dos produtores na conservação ambiental e no desenvolvimento da atividade, especialmente em Rondônia – o maior produtor de peixes nativos do país, de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura, em 2023: “O produtor e pescador prestam um serviço ambiental e precisam ser reconhecidos. E iniciativas como essa do tambaqui sustentável dão valor à cadeia produtiva e apoiam o produtor local”, compartilha.
Segundo ela, a conquista valoriza o pescado local e sustentável, amplia as oportunidades de comercialização e fortalece a renda e a autonomia das comunidades produtoras, conciliando qualidade e conservação ambiental.
Da desossa do pirarucu de 140kg às degustações no estande com o tambaqui: sabores amazônicos ganham destaque na Seafood Show
Já no estande, o público pôde conhecer os sabores dos pescados amazônicos em degustações de pratos preparados pelo chef Helvecio Maciel (@helveciomacieloficial). Entre as opções, estavam diferentes preparos de tambaqui, como moqueca, ceviche e peixe grelhado no azeite, que mostraram a versatilidade da espécie na gastronomia.
O pirarucu também ganhou destaque durante a Seafood Service Show, com a desossa de um peixe de 140 kg por manejadores e produtores das OSPS Associação de Produtores Rurais do Setor São José (APSSJ), Associação de Manejadores e Manejadoras Deus é Fiel do Acordo de Pesca Jutaí-Cleto (AAJC) e Associação União das Comunidades Indígenas e Não Indígenas do Rio Copeá (AUCINIRC), todas do Estado do Amazonas. Na sequência, foi preparada uma receita de ventrecha, enquanto o público conhecia mais sobre as características nutricionais, a textura, o aroma e o sabor desse pescado tão presente na cultura alimentar amazônica.
Confira alguns registros





Seafood Talk Show: Projeto compartilha experiências e caminhos para a valorização dos pescados amazônicos a partir da base da cadeia produtiva
Fortalecer a presença das cadeias produtivas do pirarucu de manejo e do tambaqui no mercado requer mais do que ampliar a produção: é preciso conhecer a realidade das organizações, valorizar os territórios e construir relações comerciais que reconheçam a qualidade dos produtos,além de seu papel na conservação ambiental. Esses foram alguns dos pontos abordados pelo coordenador da frente de Cadeia e Mercado, Pedro Xavier, durante a palestra “PRS-Amazônia: experiências de fortalecimento e valorização dos pescados amazônicos a partir da base”, em que compartilhou aprendizados do Projeto no processo de aproximação entre organizações socioprodutivas e mercados.
Segundo o coordenador: “A valorização do pescado amazônico não depende apenas de ampliar a produção ou de encontrar um comprador, mas de organizar toda uma trajetória que envolve qualidade, regularidade, beneficiamento, logística, posicionamento comercial e capacidade de negociação das organizações”, destaca. Entre as experiências apresentadas, ganhou destaque o trabalho com a cadeia dos peixes redondos, por meio do Protocolo de Produção do Tambaqui de Rondônia, e a atuação com o pirarucu de manejo no Amazonas.
O coordenador ressaltou ainda que o acesso a mercados exige um trabalho contínuo de preparação das organizações, aproximação com compradores e acompanhamento das relações comerciais. “É um processo. Envolve preparar a organização, compreender sua capacidade de oferta, identificar os mercados compatíveis, aproximar compradores, ajustar produtos e processos e acompanhar a relação comercial até que ela possa efetivamente se consolidar”, finaliza.
As experiências compartilhadas na Seafood e as ações realizadas ao longo do evento reforçaram a importância da articulação entre produtores, organizações locais e mercado para fortalecer as cadeias do tambaqui de Rondônia e do pirarucu de manejo. A partir da aproximação desses atores e da valorização da cultura, dos costumes e da região, o Projeto contribuiu para dar mais visibilidade aos produtos e aos saberes das comunidades amazônicas e, muito mais, ampliar oportunidades de parcerias comerciais duradouras.
Conexões com o mercado
A participação do PRS – Amazônia no Seafood também teve uma frente dedicada à aproximação com potenciais compradores. A partir dos serviços de fitscore e matchmaking oferecidos pelo evento, foram organizadas rodadas de negócios com empresas interessadas nos produtos levados pelas OSPs parceiras.
Pirarucu e peixes redondos: cadeias apoiadas pelo PRS – Amazônia
O pirarucu de manejo e o tambaqui, que faz parte da cadeia de peixes redondos, estão entre os pescados apoiados pelo PRS – Amazônia. O Projeto atua no fortalecimento dessas cadeias produtivas no Amazonas e em Rondônia, respectivamente, por meio do apoio a Organizações Socioprodutivas (OSPs) e famílias manejadoras e produtoras. As ações buscam aprimorar as práticas produtivas, fortalecer os coletivos e ampliar o acesso a mercados.
Em 2023, o pirarucu de manejo no Amazonas alcançou 5 mil toneladas, envolvendo mais de 4 mil famílias em 42 unidades de manejo distribuídas por 23 municípios, segundo estudo realizado pelo Projeto com atores do mercado, do governo e da base da cadeia produtiva. Já em Rondônia, no mesmo ano, a produção de peixes nativos, como o tambaqui, colocou o estado como o maior produtor do país, de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura.
Nesse contexto, o PRS – Amazônia busca contribuir para que o potencial dessas cadeias produtivas se traduza em melhores condições de vida para as famílias beneficiárias e na conservação da natureza.
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