O futuro no campo: o papel da juventude para a perpetuidade das práticas produtivas sustentáveis

Programa Rural Sustentável promove ações formativas para engajar participação de jovens nas atividades rurais

Quando o assunto é produção sustentável, o Brasil assume papel de destaque nos diálogos globais. De acordo com o Ipea, o país teve a maior taxa de crescimento do rendimento agrícola e pecuário entre 1990 e 2020 (Ipea, 2022). Esse resultado é fruto do trabalho árduo de cerca de 5 milhões de produtores rurais presentes em todo o país, incluindo uma juventude engajada em levar adiante às práticas agrícolas tradicionais, aliada a tecnologia e novas perspectivas para um campo mais inclusivo e sustentável.

Porém, dados do Banco Mundial de 2024 revelam que, nos últimos 22 anos, a população brasileira rural encolheu em ritmo mais acelerado que a média global (acesse aqui). Uma tendência no campo que atinge especialmente a juventude, devido às poucas oportunidades de trabalho, educação e qualidade de vida.

É justamente neste contexto que o Programa Rural Sustentável surge para fortalecer a juventude rural. São esses jovens que garantirão não apenas a produção de alimentos, mas também a continuidade das Organizações Socioprodutivas (OSPs), especificamente da Amazônia e do Cerrado. Nos dois biomas, são mais de 80 OSPs parcerias, mais de 5.000 famílias produtoras envolvidas – sendo 491 lideradas por jovens – que já começaram a construir conjuntamente caminhos para o desenvolvimento e perpetuidade das práticas produtivas sustentáveis.

 

Engajamento da juventude reabre OSP na Amazônia

 

Castanha-do-Brasil, farinha de mandioca, açaí, banana e pescado são alguns dos produtos das 35 famílias associadas à Associação de Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Repartimento, localizada na região do Médio Rio Madeira, no Amazonas. A OSP, parceira do Projeto Rural Sustentável – Amazônia, produz cerca de 30 toneladas (safra 23/24) e está em pleno funcionamento de suas atividades. Mas a realidade nem sempre foi essa.

A organização foi fundada em 2000, em Manicoré (AM), mas por dificuldades internas precisou interromper suas atividades em 2012. Após 10 anos inativa, foi a força da juventude que impulsionou a reabertura e novas parcerias que, atualmente, beneficiam toda a comunidade. É o que conta Antônio Furtado (34), presidente da organização: “Na época, as lideranças não conseguiram dar continuidade aos trabalhos, tendo que fechá-la. Mas, em 2022, a juventude se uniu para procurar informação, os melhores meios de conseguir benefícios, e com ideias inovadoras, já que a comunidade estava precisando bastante”, destaca.

Resultado desse esforço conjunto é que, hoje, a diretoria da OSP é 100% composta por jovens. “A nossa associação está conquistando agora, nesses três anos, o que a gente sonhava de conquistar lá atrás, quando nós reativamos a associação. Um exemplo disso é a nossa parceria com o PRS – Amazônia”, compartilha Antônio, animado.

Essa juventude faz um caminho contrário ao êxodo rural visto nas recentes pesquisas. Para os(as) jovens membros da OSP Repartimento, o futuro é sair para estudar e voltar para aplicar no campo todo o conhecimento adquirido na cidade. “Muitos estão saindo da comunidade para buscar conhecimento, mas retornando com novas ideias para desenvolver dentro da nossa associação e comunidade – na parte tecnológica, de agricultura, nos meios de trabalho”, ressalta Antônio.

Esse fluxo, segundo o presidente, tem ajudado a associação a definir novos objetivos para o futuro. “Já temos pensamentos agora para daqui a 5, 6 até 10 anos, para que a associação possa chegar mais fortalecida e com objetivos ainda maiores”, finaliza.

Parte desse futuro descrito pelo presidente, Antônio Furtado, tem sido traçado junto ao PRS – Amazônia. Alguns dos muitos anseios já tornaram-se realidade, como a assistência técnica rural e as oficinas para a formação de jovens lideranças. Além disso, estão previstas pelo Projeto, novas oficinas de liderança e governança, dias de campo e a aquisição de benefícios coletivos que apoiarão toda a organização.

Para não perder os próximos capítulos dessa história, continue acompanhando as ações do PRS – Amazônia.

 

Juventude no campo: sucessão rural e novas perspectivas no Cerrado

 

No coração do Cerrado, a juventude rural vem assumindo um papel cada vez mais protagonista na construção de um futuro mais sustentável para o campo. Segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2022, apenas 12,6% da população brasileira reside em áreas rurais – cerca de 25 milhões de pessoas. O número sofreu uma queda de 4,3 milhões em relação ao censo de 2010. Relatórios da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que garantir a sucessão rural é fundamental para a segurança alimentar global e para a manutenção sociocultural no meio rural, principalmente no quesito da sustentabilidade.

Nesse cenário, o Projeto Rural Sustentável – Cerrado atua como um aliado estratégico na temática, estimulando a permanência e o engajamento dos jovens nas atividades agrícolas de baixa emissão de carbono. O Projeto oferece assistência técnica, incentiva a adoção de tecnologias sustentáveis e promove ações educativas que reforçam o valor do conhecimento para enfrentar os desafios climáticos e de mercado.

Entre as iniciativas do PRS – Cerrado, as Ações de Popularização da Produção Rural Sustentável e de Baixa Emissão de Carbono se destacaram ao envolver crianças e adolescentes, tanto de escolas do campo quanto urbanas, em uma jornada de aprendizagem sobre a agropecuária sustentável. Finalizadas em 2024, as atividades incluíram vivências, oficinas, imersões e trocas de experiências, com o objetivo de despertar nos jovens o senso de pertencimento à natureza e o compromisso com a conservação ambiental.

Segundo o professor Heitor Franco de Souza, da Escola Estadual Tonico Franco, em Ituiutaba (MG), são incentivos como esses que criam a proximidade do campo com os jovens. “Com uma abordagem tão próxima e prática, eles adquirem conhecimento e conseguem repassar tudo o que aprenderam, tanto para suas famílias no campo, quanto para suas vivências futuras”, destaca. A escola mineira foi uma das participantes na 2ª e última edição das ações.

Para além das ações de educação e conscientização do PRS – Cerrado, políticas públicas como o Plano Safra e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) têm papel essencial no fortalecimento da juventude rural. Essas iniciativas oferecem linhas de crédito, assistência técnica e incentivos para que jovens agricultores(as) invistam em tecnologia, diversificação produtiva e práticas sustentáveis.

Ao unir políticas públicas, educação ambiental e incentivo à inovação, o PRS – Cerrado contribui para criar condições favoráveis à sucessão rural, garantindo que as próximas gerações não apenas permaneçam no campo, mas também liderem a transformação necessária para torná-lo mais resiliente e produtivo.

Saiba mais sobre as ações e o compromisso do PRS – Cerrado com a juventude e a sustentabilidade, clicando aqui.

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