Primeira parada: conhecer a rotação de cultura, o plantio direto, a compostagem e outras práticas sustentáveis da cadeia do cacau, que podem ser fortalecidas com a assistência técnica do Projeto Rural Sustentável – Amazônia. Esses foram alguns dos aprendizados da primeira rodada das oficinas de diagnóstico de ATER, que aconteceu nos meses de janeiro e fevereiro, com as Organizações Socioprodutivas (OSPs) parceiras do Pará. O objetivo é realizar uma análise profunda sobre como é feita a produção e entender mais sobre a realidade socioeconômica local, para oferecer uma ATER que dialogue com as aspirações das famílias produtoras.
Conhecer, mapear e construir em conjunto
A jornada da equipe de campo começou na rota da Transamazônica com destino ao município de Altamira (PA), para alinhar a etapa de mapeamento de contexto e iniciar a aplicação do questionário socioeconômico com as famílias produtoras do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Município de Altamira (STTR) e da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP). O questionário abordou temas como: “Quais as expectativas ao receber a ATER?”, “Quais práticas produtivas sustentáveis utiliza?”, ”Quais as políticas públicas acessadas?”, entre outras.
Logo depois, a viagem seguiu com o mesmo propósito rumo ao município de São Félix do Xingu (PA), desta vez, com as famílias da Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF) – uma organização majoritariamente composta por mulheres produtoras. A próxima oficina será com a Cooperativa Agrícola dos Empreendedores Populares de Igarapé Miri (CAEPIM).
Maria Josefa Machado Neves, presidente da AMPPF, foi uma das produtoras que participou da primeira atividade de assistência técnica do Projeto. De São Félix do Xingu, ela compartilha que a oficina representa o aprimoramento das suas técnicas produtivas e fortalece a esperança de um futuro com mais renda e oportunidades. “A oficina vai ajudar bastante, porque quando nós plantamos esse cacau, nós não tivemos orientação nenhuma. E a assistência técnica hoje vai ajudar em tudo, tanto na produção, que a gente vai saber como lidar com o cacau, como na poda e no combate dessas doenças que aparecem. Então a assistência técnica vai melhorar muito a nossa renda”, conta.

Segundo a monitora de campo, Cláudia Olimpo, as práticas produtivas tradicionais, transmitidas de geração em geração, representam algumas das potencialidade locais que agregam valor à produção. E, com a ATER do Projeto, essas técnicas serão aprimoradas, unindo os conhecimentos técnicos a oportunidades de mercado e aos saberes tradicionais das famílias.“Os agricultores da região da Transamazônica possuem bastante conhecimento empírico, e aplicam diversas técnicas de manejo sustentável com base nesse conhecimento, nos tratos culturais sem uso de agrotóxico, na rotação de cultura, no plantio direto e na compostagem […]. São agricultores que estão dispostos a aprender e compartilhar experiências”, destaca Cláudia.
Nesta primeira etapa, as famílias produtoras tiveram a oportunidade de trocar conhecimentos entre si e com a equipe de campo, para entender, conjuntamente, os desafios e oportunidades do contexto local e da cadeia produtiva. Esse momento marca o início de uma jornada de assistência técnica voltada para o aprimoramento de suas práticas produtivas, com foco na produtividade, no aumento da renda e da qualidade de vida no ambiente rural, sempre com atenção à conservação do meio ambiente.
O que está no radar para as próximas oficinas
Em breve, a equipe de campo retornará às famílias produtoras das OSPs da cadeia do cacau, para concluir o questionário e finalizar o diagnóstico, identificando os desafios e potencialidades da cadeia produtiva e do contexto das famílias. Esse processo, no futuro, possibilitará uma ATER alinhada aos objetivos individuais e coletivos das famílias produtoras.





