PRS–Amazônia no Congresso Nutrição Funcional 2026: produtos e histórias das OSPs ganham espaço no maior evento de nutrição do mundo

Em rodadas de negócios, estande e Cozinhas Show, organizações parceiras se conectam com profissionais da saúde e potenciais compradores

Rodadas de negócios, preparo de receitas por chefs renomados, degustações, diálogos e muita conexão. Neste mês, o Projeto Rural Sustentável – Amazônia participou de um dos maiores eventos de nutrição do mundo, o Congresso de Nutrição Funcional 2026, ao lado de representantes de Organizações Socioprodutivas (OSPs) das 6 cadeias produtivas abrangidas pelo Projeto. O objetivo foi aumentar o potencial de novos negócios, parcerias e de apresentar um produto a quem é formador de opinião: nutricionistas e profissionais ligados à alimentação e à sustentabilidade. Durante o evento, produtores e agroextrativistas ocuparam o estande do projeto, compartilharam seus produtos e se conectaram com um mercado que reconhece e valoriza o consumo de alimentos produzidos em harmonia com a floresta. 

Para Camila Sande, gerente de Cadeia e Mercado do Projeto, cada participação em um evento como esse representa uma oportunidade de aprendizado e de aproximação com o mercado. “Essa é a segunda vez que o Projeto participa do Congresso com algumas das OSPs.  Então, elas estão em constante evolução, porque cada participação é um aprendizado, são novos contatos. Através desses eventos, têm-se a percepção do público comprador, dos canais de distribuição, das tendências, do gosto de consumo e das possibilidades de venda. Então, assim, tem várias oportunidades e conversas com compradores bem experientes, que sabem exatamente o que querem, de registros, certificações, exigências de embalagem, de rotulagem. E para o Projeto o importante são os negócios gerados a partir dali, das conversas, para que eles possam se desenvolver e conseguir levar os produtos para a região sudeste, que é o maior mercado comprador do Brasil”, compartilha. 

Um encontro entre produção e mercado 

As primeiras conexões aconteceram antes mesmo da abertura do congresso, no Café com Bionegócios, uma rodada que reuniu as organizações produtoras e potenciais compradores na mesma mesa para fazer negócio. Idealizada pelo Projeto em parceria com a Central do Cerrado, a ADE SAMPA e o Congresso VP, a iniciativa trouxe pessoas, produtos e histórias de quatro biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga para conversar sobre parcerias, trocar experiências e saber mais sobre os processos que dão forma a cada produto – com direito a experimentar, ali mesmo, os sabores dos diferentes territórios.

Entre as participantes estava a produtora Ediana Capich, de Novo Horizonte do Oeste (RO), dona da marca de cafés especiais robusta amazônico, Lagoa da Mata, e associada à OSP LaCOOP. Para ela, estar em um espaço como esse significa aproximar a produção da agricultura familiar de novos públicos. “Eu quero deixar os nossos agradecimentos para o Projeto Rural Sustentável – Amazônia, que vem nos acompanhando durante esse tempo, o que nos ajudou muito, nos alavancou, nos deu visibilidade, abriu portas”, afirma.

É justamente essa visibilidade que a Ediana mencionou que ajuda a encurtar a distância entre quem produz e quem consome, especialmente para famílias que vivem em regiões distantes dos principais centros consumidores. “Como a gente produz lá na Amazônia, muitas vezes isso não consegue chegar aqui na ponta, no consumidor. Por isso, eu quero agradecer imensamente ao Projeto que vem nos fortalecendo e mostrando o nosso trabalho para as pessoas”, complementa.

O momento criou um espaço para que as organizações FVPP (Cacau Xingu), LaCOOP (Café Lagoa da Mata), ASSOAB Beruri, Gosto da Amazônia (ASPROC), APAFE e a agroindústria Pescados Rodrigues contassem onde  e como cada alimento é produzido. Entre uma conversa e outra, os sabores da Amazônia e dos outros biomas foram ganhando visibilidade e possibilidade de chegar a novos mercados. 

 

Abertura marca encontro entre nutrição e sociobiodiversidade

A abertura do Congresso Valéria Paschoal 2026 deu início a uma série de atividades dedicadas à alimentação, à saúde e às novas formas de pensar o que chega à mesa. Para o Projeto, estar nesse espaço significou conectar as organizações socioprodutivas parceiras a um público que tem influência nas escolhas alimentares e pode ajudar a ampliar o conhecimento e o consumo de produtos da sociobiodiversidade. 

Para Tadeu Assad, coordenador-geral do PRS – Amazônia, estar no Congresso VP é uma oportunidade de dialogar com profissionais que estão próximos das escolhas alimentares das famílias brasileiras. “É extremamente importante considerar que os nutricionistas impactam na decisão do consumo. Participar do congresso é aproximar quem produz de quem pode incentivar o consumo de produtos mais sustentáveis”, compartilha. 

É justamente nesse encontro entre quem produz e quem influencia hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis que nasce a parceria do PRS – Amazônia com o Congresso VP. À frente do evento, Valéria Paschoal compartilhou com exclusividade para o Projeto: “Essa parceria tem uma alta cumplicidade, de missão, de propósito, porque a nutrição funcional conecta exatamente a terra até a mesa. […] E ver todos os pescadores, os cafeicultores, extrativistas explicando como eles produzem, sem nenhum tipo de substância química, com a valorização da natureza mostrada em embalagens lindas, é um trabalho encantador”, afirma Valéria.

A abertura também contou com a participação de Eduardo Ourivio, sócio-fundador do Grupo Trigo. A partir de sua experiência ao conhecer de perto as riquezas da Amazônia, ele compartilhou como esse contato influenciou a forma de pensar os negócios do grupo. Inclusive, durante uma visita a Rondônia pelo Projeto, Eduardo conheceu organizações parceiras com o objetivo de aproximar sua experiência no setor empresarial da realidade de quem produz e empreende no território.

Outro destaque foi a participação da Central do Cerrado, Luiz Carrazza, que à frente da organização atua na valorização e no uso sustentável da biodiversidade como caminho para conservar o bioma e gerar renda. A parceria com o PRS – Amazônia já vem de outros encontros, na COP30, onde esteve presente com o Restaurante da Sociobio, e agora ganha novos capítulos no Congresso VP.

Cozinha Show: a floresta tem sabor e história 

Ao longo dos três dias de Congresso, a sociobiodiversidade também ganhou espaço na cozinha. As Cozinhas Show levaram para o prato ingredientes produzidos pelas próprias organizações parceiras, mostrando, na prática, como cada alimento tem a sua história, sabor e a identidade amazônica. Uma das receitas reuniu três ingredientes do bioma: chocolate, café e castanha. A chef Carina Müller preparou um tiramisù amazônico com produtos da Cacau Xingu (OSP FVPP), Café Lagoa da Mata (OSP LaCOP) e ASSOAB Beruri, combinando diferentes sabores e jeitos de produção.

Carina Muller, nutricionista e chef de cozinha, destacou a qualidade dos produtos da sociobiodiversidade. “Esses são alimentos altamente nutritivos, que tem uma carga nutricional muito relevante, visto que tem nutrientes importantes, riquíssimos em micronutrientes, minerais, vitaminas, antioxidantes. São produtos perfeitos para que a gente possa prescrever para os nossos pacientes ou, como chefe de cozinha, usar nos nossos estabelecimentos, porque além de ajudar a saúde do ser humano, de ter uma qualidade organoléptica fantástica, preserva o nosso meio ambiente e deixa a nossa floresta de pé” compartilha. 

Para as organizações do café e do chocolate, o momento também representou a continuidade de um caminho iniciado no Congresso VP de 2025. Um ano depois de se conhecerem pessoalmente e apresentarem seus produtos no evento, a Café Lagoa da Mata e Cacau Xingu voltaram com uma novidade desenvolvida a partir dessa aproximação: o chocolate com café Bem-te-vi, uma parceria viabilizada pelo PRS – Amazônia.

A dona Jiovana Lunelli, da Cacau Xingu, compartilha que estava há muito tempo procurando um café para harmonizar com o seu cacau, tanto nos valores de floresta em pé quanto no sabor.“A gente queria lançar esse chocolate com café, mas com café que fosse da Amazônia, que fizesse parte de um processo orgânico, que parecesse com o nosso modelo de trabalho sustentável. A parceria deu muito certo, porque as notas que tem no café deles harmonizam muito bem com as notas que temos no nosso cacau. Então, hoje o chocolate com café robusta é um dos que mais hoje na nossa linha de produção”, afirma.

Cozinha Show – Café, Chocolate e Polpas

Da combinação entre café e chocolate, a programação seguiu para outro ingrediente amazônico: o pescado. Nessa Cozinha Show, a chef Socorro Almeida preparou uma adaptação do tradicional tambaqui à casaca em parceria com a Pescados Rodrigues. A agroindústria, recentemente, aderiu ao protocolo de sustentabilidade do Projeto e remunera melhor produtores que adotam práticas de conservação, como a recuperação de nascentes, a proteção dos rios e a contenção do desmatamento.

Para Elivelton Rodrigues, proprietário da Pescados Rodrigues, essa parceria com o Projeto está diretamente ligada ao propósito da empresa: “O Nosso trabalho não é só pescar, é propósito, sustentabilidade e desenvolvimento social e ambiental. Então, aqui não tem só peixe, aqui tem história também”, afirma.

Cozinha Show: Elivelto Rodrigues, da Pescados Rodrigues, com a Chef Socorro Almeida preparando um tambaqui à casaca com a farinha da APAFE

Já a farinha utilizada na receita veio da OSP APAFE, de Tefé (AM), município que integra a área de produção da farinha de Uarini (ovinha) e que possui Indicação Geográfica. O ingrediente trouxe para a receita mais uma parte da identidade alimentar do território e mostrou como diferentes cadeias produtivas podem se encontrar no mesmo prato. 

Durante os três dias, a programação trouxe também diferentes perspectivas sobre alimentação, sociobiodiversidade e produção sustentável. Entre os diálogos, estiveram “O código vibracional dos alimentos: o manejo humanizado e a sociobiodiversidade para alimentação regenerativa”, com Eric Sawyer, coordenador operacional do PRS–Amazônia, Reginaldo Morikawa, da DAMM, e Socorro Almeida, do Slow Food Brasil. A mesa teve como objetivo refletir sobre práticas sustentáveis de produção e como esse modelo pode contribuir para uma alimentação saudável e para a restauração dos ecossistemas. 

Mesa “O papel da pessoa profissional de nutrição para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada", com Getúlio Jales, da Secretaria de Agricultura Familiar do Pará; Humberto de Mello Pereira, do Ministério do Desenvolvimento Social; Valéria Paschoal; Pedro Xavier, coordenador de cadeia e mercado do PRS–Amazônia; e a professora da CECANE-SP

Já a mesa “O papel da pessoa profissional de nutrição para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada”, que reuniu Pedro Xavier, coordenador de cadeia e mercado, Getúlio Jales, da Secretaria de Agricultura Familiar do Pará, Humberto de Mello Pereira, do Ministério do Desenvolvimento Social, discutiu o papel da nutrição na promoção do Direito Humano à Alimentação Adequada, aproximando a atuação profissional das políticas públicas, da agricultura familiar e das estratégias de abastecimento e segurança alimentar.

O diálogo permitiu conectar a realidade dos territórios amazônicos, os desafios de acesso da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais aos mercados institucionais, a execução do PNAE e o papel estratégico da nutrição na promoção do DHAA. Humberto de Mello Pereira, Coordenador-Geral do PAA, abordou, por exemplo, as compras públicas e o abastecimento alimentar no contexto das políticas nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional, reforçando o papel do PAA como instrumento de inclusão produtiva, geração de renda, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento de sistemas alimentares territorializados.

Humberto de Mello Pereira, do Ministério do Desenvolvimento Social; Pedro Xavier, coordenador de cadeia e mercado do PRS–Amazônia

Entre comidas doces e salgadas, as Cozinhas Show e as palestras deram destaque aos produtos da sociobiodiversidade amazônica e mostraram como esses alimentos, além de saborosos e presentes no dia a dia, carregam histórias, conhecimentos e modos de vida da maior floresta tropical do mundo. Para o Projeto, a participação no Congresso reforçou a importância de aproximar quem produz de novos públicos e mercados, valorizando os alimentos da sociobiodiversidade e os territórios onde são produzidos. 

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