Barcos, viveiros de mudas, energia solar: mais de 50 itens de uso coletivos são entregues às organizações parceiras do Projeto

Escolhidos pelas próprias OSPs e suas comunidades, os benefícios atendem a demandas locais e ajudam a fortalecer a produção e a organização coletiva

Dados obtidos até dia 14/09*

Do papel para a ação: viveiros, placas solares, carro, embarcações e trator para melhorar a eficiência do manejo estão entre os mais de 50 benefícios coletivos entregues pelo Projeto Rural Sustentável – Amazônia às Organizações Socioprodutivas (OSPs) parceiras. A lógica das entregas não é ampliar a área de produção, mas melhorar o uso da estrutura já existente e tornar os processos mais eficientes, de acordo com as prioridades de cada organização. Os recursos colocam em prática os Planos de Negócios construídos conjuntamente com cada OSP, que identificaram seus principais anseios, demandas e infraestrutura necessária para otimizar a produção e fortalecer a organização como um todo. Vem saber como foi!

O que são os benefícios coletivos? Relembre com a gente

Os Benefícios Coletivos, como o próprio nome diz, são itens de uso coletivo e direcionados a todas as organizações parceiras do PRS – Amazônia. O objetivo é contribuir para a estruturação e fortalecimento das organizações, aumentando sua autonomia, eficiência e sustentabilidade. Para chegar neste momento, as OSPs percorreram uma jornada coletiva: primeiro a construção de diagnóstico local e produtivo, em seguida um plano de ação com estratégias de curto, médio e longo prazo e um plano de implementação com foco em superar os desafios, lacunas e potencializar as oportunidades.

Depois, as organizações seguiram para o último passo: identificar quais seriam os investimentos necessários que poderiam dialogar com as estratégias definidas nos planos, e ajudar no dia a dia de todos os associados e associadas de cada organização. Esses possíveis investimentos, indicados pelo coletivo, foram avaliados tecnicamente pelas equipes do PRS-Amazônia e validados para a aquisição dos benefícios. 

Na Associação de Pescadores do Setor São José (APSSJ), por exemplo, o barco entregue pelo projeto será um apoio direto ao manejo do pirarucu e reduzirá custos de produção, aumentando o retorno financeiro e de qualidade de vida para a comunidade. A AMPPF, por sua vez, ajudará a manter as atividades do dia a dia e reduzir também reduzir os custos. Já na cadeia do café em Rondônia, a Õtaibit poderá elevar a qualidade do grão com o medidor de umidade de grão e o trator otimiza a utilização da área já utilizada para plantio.

No Amazonas, embarcações e viveiros fortalecem as cadeias do pirarucu de manejo e da castanha-do-Brasil

Em uma região onde os rios conectam comunidades e pessoas às oportunidades, os equipamentos chegam para tornar o trabalho no campo e nas águas mais seguro e eficiente.  No Amazonas, 6 OSPs receberam 16 Benefícios Coletivos voltados ao fortalecimento das cadeias do pirarucu de manejo e da castanha-do-Brasil. Viveiro comunitário, embarcações, canoas, roçadeira, rabeta com motor, voadeira, esteiras, são alguns dos recursos para apoiar diferentes etapas da produção.

Em Manicoré (AM), a Associação de Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Repartimento recebeu um viveiro comunitário e um barco de médio porte. Para Antônio Furtado, presidente da OSP, as entregas representam uma conquista aguardada há anos e que vai fazer toda a diferença na rotina dos manejadores e manejadores de castanha. “Receber os bens coletivo do PRS–Amazônia é a realização de um sonho. A associação foi fundada em 2003 e, desde então, nunca tinha sido apoiada por um Projeto tão maravilhoso e responsável como o PRS. O barco é fundamental para escoar a produção da associação. Com ele, vamos poder transportar nosso produto com menos custo, menos tempo e menos sacrifício, podendo assim levar o produto até a venda, mas rápido e com qualidade”, destaca.

Chegada do barco à OSP Repartimento

 

Mas o viveiro também abre novas possibilidades para os associados, fortalecendo o plantio e criando oportunidades de geração de renda com a produção e comercialização de mudas para outras comunidades – uma forma de diversificar  a renda. Como explica Antônio: “O viveiro é importante para que os associados produzam suas próprias mudas, tanto para o seu próprio plantio quanto também para a comercialização para outras comunidades, trazendo melhorias no plantio dos produtos e gerando renda para eles”. 

Já na cadeia do pirarucu de manejo, a realidade é marcada pelas grandes distâncias e pelo acesso quase exclusivamente pelos rios. A cerca de 615 km de Manaus, a Associação dos Produtores Rurais do Setor São José, localizada em Maraã (AM), recebeu embarcações, canoas com motores e rabetas para apoiar o beneficiamento do pescado.  Os equipamentos vão contribuir para uma etapa essencial do manejo: retirar o pirarucu dos lagos, transportá-lo até a base flutuante para a evisceração e, depois, levá-lo para o congelamento na OSP. Antes, esse deslocamento era feito por meio do aluguel de embarcações, o que representava um dos principais custos da produção.

A redução dos custos de transporte é destacada por Lillian como uma mudança importante para a associação: “A gente fretava barco que a gente não tinha, então a gente tinha um gasto muito alto nisso. Era um dos maiores gastos no tempo da nossa produção, E hoje, graças a Deus, com o apoio de todos, o apoio do governo britânico que financiou isso, então a gente tá completamente muito grato, muito agradecido”.

Em Rondônia, organizações recebem maquinário para a produção do café

As entregas dos benefícios coletivos em Rondônia começaram pelo município de Alta Floresta D’Oeste (RO), a aproximadamente 400 km de distância da capital Porto Velho (RO). No estado, três OSPs indígenas da cadeia do café receberam 18 Benefícios Coletivos no total, que chegam às TIs para fortalecer o trabalho das famílias que cultivam o café robusta amazônico. Entre sistemas de irrigação, equipamentos para plantio agroecológico, trator para otimizar a área de produção já utilizada e outros recursos, as entregas respondem a demandas identificadas pelas próprias organizações para uma produção mais estruturada, eficiente e sustentável.

Uma das primeiras OSPs beneficiadas foi a Associação Indígena Fluvial Õtaibit, que recebeu um medidor de umidade de café, utilizado para garantir qualidade e eficiência no beneficiamento da produção, e um trator, que permitirá às famílias cafeicultoras otimizar o preparo do solo nas áreas destinadas ao cultivo de café, entre outros benefícios. Hélio Kampé, secretário da OSP, fala sobre o que representa a entrega do equipamento para toda a organização. “Hoje é um dia muito especial para nós. Receber um equipamento coletivo é um sonho que está sendo realizado hoje. Ainda tivemos a oportunidade de receber orientações sobre o manejo do café, cuidados, sobre a adubação”, conta emocionado.

No Pará, organizações recebem placas solares para economizar energia, despolpadeira e carro para ajudar nas tarefas do dia a dia

Os Benefícios Coletivos do Projeto começaram a chegar pelos municípios paraenses, superando desafios logísticos para fortalecer a sociobioeconomia local. No estado, já foram entregues 16 benefícios às 5 OSPs com foco em apoiar o fortalecimento das cadeias produtivas do cacau e do açaí. São veículos, placas solares, viveiros de mudas, despolpadeiras, itens de escritório, entre outras entregas que vão ajudar a ampliar a produção, melhorar a estrutura e dar mais autonomia às organizações.

Em São Félix do Xingu (PA), a cerca de 1.050 km de Belém (PA), a Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF) transforma o cacau em oportunidade, renda e autonomia para as mulheres produtoras da região. A Dona Josefa, presidente da AMPPF, conta que as placas solares entregues pelo Projeto vão ajudar a economizar energia – o que significa sobrar mais dinheiro para investir na produção do cacau. 

Placas solares nas áreas de influência da AMPPF

“As placas solares vão nos ajudar nas atividades do dia a dia com a energia. Vão nos ajudar com o gasto que a gente tem durante o ano, porque a energia aqui é muito cara”, ela compartilha. A organização também foi beneficiada com um tanque de aço Inox e equipamento para extrair a polpa das frutas.

Já em Abaetetuba (PA), a aproximadamente 120 km da capital, a Associação Multissetorial dos Empreendedores de Beja (AMSETEB) fortalece a cadeia do açaí enquanto gera sustento às famílias agricultoras. Com a chegada de um veículo, a OSP poderá estar mais presente no território, facilitando o deslocamento entre os municípios e o acompanhamento dos produtores e produtoras em suas atividades no campo.

Para a presidente da OSP, Silvia Maia, o apoio chegou em um momento decisivo para fortalecer a assistência técnica rural e dar suporte às famílias que estão investindo no plantio de espécies. “Primeiramente, quero agradecer muitíssimo ao PRS – Amazônia, ao envolvimento dos nossos associados e toda equipe. A gente foi beneficiado por um veículo que chegou numa hora excepcional, porque a gente está trabalhando na assistência técnica rural com os beneficiários. Alguns já estão iniciando ou melhorando o plantio das espécies frutíferas amazônicas, principalmente o açaí”, compartilha animada.

No dia a dia da associação, o veículo se tornou peça-chave para viabilizar as ações em campo e dar mais eficiência à rotina de trabalho, possibilitando, por exemplo, o transporte das mudas do viveiro municipal até as propriedades dos(as) associados(as) em boas condições para o plantio. “Chegou bem no momento em que a gente tava fazendo a dinâmica de cadastramento para pegar as mudas. O carro serviu para ir no viveiro de mudas do município e pegar as mudas de açaí, pegar as mudas frutíferas e levar até as residências e aos sítios dos participantes da associação”, afirma. 

Veículo entregue à OSP AMSETEB

Ao todo, 14 OSPs já receberam seus benefícios coletivos e a expectativa agora é que as demais OSPs recebam de acordo com as demandas identificadas nos planos construídos junto ao PRS – Amazônia. O objetivo é apoiá-las no fortalecimento da organização e produção para a geração de renda aliada à conservação da floresta.

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