No Amazonas, ATER coletiva do Projeto fortalece quem vive do manejo sustentável da castanha-do-Brasil e do pirarucu

Mais de 470 famílias manejadoras participam da trilha de assistência técnica, que já chegou à etapa de Dias de Campo

A assistência técnica do Projeto Rural Sustentável – Amazônia avança pelo Amazonas mas, desta vez, com um diferencial: ela é coletiva, já que o manejo da castanha-do-Brasil e do pirarucu acontecem na floresta de forma conjunta pelas comunidades. Na cadeia da castanha, a ATER tem ajudado, por exemplo, na realização do inventário para mapear, contar e avaliar a saúde e a quantidade das castanheiras. Já com as OSPs do pirarucu, as ações têm olhado para o beneficiamento do pescado, a organização da produção e a gestão das organizações. A proposta é unir saberes tradicionais e conhecimento técnico, para aproximar as famílias das oportunidades de mercado e fortalecer uma produção que mantém a floresta em pé.

Do planejamento à prática: ATER avança para os Dias de Campo

As famílias das cadeias produtivas do pirarucu de manejo e da castanha-do-Brasil estão, neste momento, no final da etapa de Dias de Campo no Amazonas. Antes de chegar a essa fase, as famílias construíram coletivamente um diagnóstico para identificar dificuldades, lacunas e potencialidades e, a partir dele, elaboraram um plano de implementação com ações de curto, médio e longo prazo para alcançar seus objetivos relacionados à produção.Os Dias de Campo, promovidos pelo Projeto permitiram, colocar esse planejamento em prática, com atividades voltadas às necessidades identificadas com cada OSP, como beneficiamento do pescado, cursos de drones para melhorar a vigilância dos lagos do manejo e outras capacitações. 

Com ATER coletiva, OSPs avançam na organização e valorização da castanha

Caminhar até os castanhais, organizar a coleta e fazer o manejo são atividades que fazem parte da rotina de 5 OSPs e mais de 170 famílias parceiras do Projeto pela cadeia da castanha-do-Brasil. No Amazonas, famílias e organizações vêm somando conhecimentos para encontrar novas oportunidades de renda em harmonia com a floresta, mas planejar o manejo, agregar valor à produção e divulgar os produtos ainda são os principais desafios. 

Quem está há mais tempo no Projeto já percebe de perto as mudanças que a assistência técnica vem promovendo no dia a dia das famílias agroextrativistas. É o caso da OSP APAFE, localizada no entorno da Floresta Nacional de Tefé, na região do Médio Solimões. 

Cercada pelos rios Tefé, Bauana, Andirá e Curumitá de Baixo, e em meio aos castanhais, a OSP desenvolve suas atividades produtivas em um território marcado pela dinâmica dos rios, que umedecem o solo e contribuem para a floração e formação do fruto. Segundo Keuliany de Castro, agente de mercados institucionais da associação, o acompanhamento contínuo garante uma ATER adaptada a esse contexto e ajuda a APAFE a organizar melhor suas atividades produtivas, do manejo à agregação de valor e comercialização. 

Keuliany de Castro, agente de mercados institucionais da APAFE

“A assistência técnica tem possibilitado a troca de conhecimentos e o aprimoramento das práticas produtivas e organizativas, contribuído diretamente para o dia a dia dos beneficiários, oferecendo orientações para melhorar a produção, o planejamento e a organização das atividades. Além disso, tem fortalecido os conhecimentos dos produtores e incentivado práticas mais sustentáveis no nosso dia a dia”.

 

Para o monitor do Projeto na cadeia da castanha-do-Brasil, Luzivaldo Castro, a ATER traz atividades práticas em respostas às necessidades e objetivos definidos pelas OSPs. “No Dia de Campo 1, por exemplo, foram desenvolvidos diversos produtos doces e salgados à base de castanha, mostrando novas possibilidades de beneficiamento e agregação de valor. Nos DCs 2 e 3, trabalhamos fotografia e produção de conteúdo para melhorar a divulgação dos produtos comunitários, e nos DCs 4 e 5, avançamos no inventário e planejamento do manejo dos castanhais”, compartilha.

No mesmo município da Keuliany, Tefé (AM), também está localizada a OSP APROCANSI, da qual Ingrid da Silva Monteiro é associada. Para ela, as atividades de ATER têm ajudado a alcançar os objetivos coletivos da organização, como ampliar a autonomia, melhorar a organização produtiva e criar novas oportunidades de renda. “O maior objetivo da OSP é fortalecer a organização dos produtores, promovendo autonomia, união e melhores condições para o desenvolvimento sustentável da comunidade. E o Projeto contribui diretamente para esse objetivo, ao apoiar a organização da associação, a capacitação dos produtores, a regularização documental e o fortalecimento das atividades produtivas, ampliando as oportunidades de geração de renda e valorização da produção local”, ressalta. 

Atividades de ATER na OSP APROCANSI, em Tefé (AM)

O trabalho com a castanha ainda tem desafios, mas com o suporte da ATER, as famílias e OSPs estão conseguindo organizar melhor a produção, trocar experiências e ampliar as oportunidades em harmonia com a floresta. O caminho é longo, mas os primeiros resultados já aparecem na rotina de quem vive e trabalha na base da cadeia produtiva. 

Nas águas da Amazônia, ATER fortalece o manejo do pirarucu

No manejo do pirarucu, ninguém trabalha sozinho. Nessa cadeia produtiva, são 6 OSPs e cerca de 300 famílias manejadoras parcerias do Projeto, que recebem uma assistência técnica coletiva, adaptada ao seu contexto local e produtivo. A ATER é conjunta porque o próprio manejo do pirarucu depende do trabalho coletivo das comunidades, desde a vigilância dos rios, contagem dos peixes, a pesca até o beneficiamento e comercialização. 

Em meio a essa dinâmica, os desafios também são compartilhados, como a vigilância dos rios e o beneficiamento do pescado, mas é a partir das necessidades de cada OSP que a assistência técnica contribui para fortalecer as organizações e suas atividades produtivas. A OSP APSSJ, de Maraã (AM), está desde o início no Projeto, e Lillian Gonçalves, presidente da OSP, destaca a importância desse acompanhamento contínuo. 

Lillian Gonçalves, presidente da APSSJ

“A assistência técnica com o Projeto PRS–Amazônia tem sido realizada de forma coletiva, envolvendo os associados e associadas da OSP. Nesse período, temos participado de momentos de acompanhamento, orientações, reuniões e atividades voltadas para fortalecer a organização e melhorar o desenvolvimento das ações da associação. Tem sido um processo importante de troca de conhecimentos, onde conseguimos aprender e também compartilhar nossas experiências e a realidade da nossa comunidade. Já tivemos curso de sistematização de dados, de beneficiamento do pescado, de gestão financeira e de drone”. 

 

Já a OSP AUCINIRC, localizada a mais de 500 km, em Coari (AM), é uma das OSPs que chegou com a extensão do Projeto. A organização atua na defesa dos direitos sociais e econômicos de populações ribeirinhas e indígenas, e também encontra no manejo sustentável do pirarucu uma importante fonte de renda. A OSP já vivencia, na prática, os primeiros resultados da ATER, por meio dos Dias de Campo.

O Sr. Salvador Gomes, presidente da organização, conta que a assistência técnica chegou para fortalecer as diferentes etapas do trabalho desenvolvido pelas comunidades. “A  assistência técnica está acontecendo através de oficinas e capacitação teórica e prática, cursos do drone e curso de filetagem. O Projeto tem ajudado com a assistência para o nosso manejo e nos ensinado como buscar parcerias que abram caminhos para visibilidade do nosso trabalho”, destaca. 

Salvador Gomes, presidente da OSP AUCINIRC

Por ser implementada de forma coletiva, a ATER também fortalece a troca de experiências entre as famílias e as OSPs, permitindo que o conhecimento circule entre as comunidades. A partir das necessidades identificadas em cada organização, os Dias de Campo reúnem produtores, lideranças e equipes técnicas em torno de desafios comuns, transformando momentos práticos em oportunidades reais de desenvolvimento. 

Ao final dessa etapa, as OSPs participarão de uma pesquisa de satisfação para identificar a efetividade das ações e os pontos que podem ser aprimorados. Além disso, as famílias receberão um guia com orientações sobre a assistência técnica, reunindo informações e aprendizados que poderão apoiar a continuidade das atividades nas duas cadeias produtivas. 

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