Dia da Amazônia: ações do Projeto no bioma mostra caminhos para produzir, gerar renda e conservar

Em mais de quatro anos, PRS – Amazônia tem apoiado mais de 1.400 famílias, conectando produção, conhecimento, mercado e conservação da florest

Falar sobre o futuro da Amazônia é também falar sobre as pessoas que vivem, produzem e cuidam de seus territórios. Em uma região marcada pela diversidade de espécies, culturas, conhecimentos e formas de produção, fortalecer as pessoas é parte essencial da construção de caminhos mais sustentáveis. Neste Dia da Amazônia, 5, o Projeto Rural Sustentável – Amazônia destaca os resultados de quatro anos de atuação no Amazonas, Pará e Rondônia, conectando diferentes frentes de atuação para apoiar mais de 1.400 famílias, 30 Organizações Socioprodutivas (OSPs) e atingir a meta de manejar de forma sustentável cerca de 11.600 hectares, com ações que envolvem aumento da produtividade, do conhecimento, inovação, acesso a mercados e, claro, floresta em pé. 

As muitas Amazônias dentro da Amazônia

Há mais de uma Amazônia dentro da Amazônia. A floresta reúne milhares de espécies de plantas e animais – muitas delas encontradas somente no bioma – e a maior bacia hidrográfica do mundo, a do Rio Amazonas. Em quase 5 milhões de km², essa riqueza também se expressa no modo de vida das pessoas da região: a população da Amazônia Legal foi estimada em 30,1 milhões de habitantes, um crescimento de 11,5% desde 2012, segundo a Amazônia Legal em Dados.

Mas essa diversidade de fauna, flora e de gente também está exposta aos efeitos das mudanças climáticas. Em 2024, o Projeto acompanhou os impactos de uma seca histórica no Amazonas, Pará e Rondônia, que afetou os territórios e as atividades produtivas das comunidades. E esse cenário pode se tornar ainda mais desafiador com a presença do El Niño, fenômeno provocado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, que altera a distribuição das chuvas em diferentes regiões do hemisfério sul.

Na Amazônia, o El Niño pode intensificar os efeitos da estiagem, contribuindo para temperaturas mais altas, níveis dos rios abaixo da média e o aquecimento das águas. Essas condições aumentam a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, favorecem o desmatamento e ampliam a presença de fumaça nas cidades, afetando a qualidade do ar. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe uma probabilidade de 81% de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro no bioma.

Mas é diante desses desafios que o PRS – Amazônia tem atuado ao longo de mais de  4 anos no Amazonas, Pará e Rondônia e as comunidades que participam do projeto já atingiram a marca de 40.000 hectares manejados de forma sustentável. O Projeto apoia mais de 1.400 famílias produtoras e agroextrativistas do cultivo e extração até a comercialização com o objetivo de fomentar o desenvolvimento local enquanto mantém a floresta em pé.  

Suas diferentes frentes acontecem de forma simultânea e se complementam, criando uma rede de apoio e de incentivo à produção sustentável nos estados. Enquanto uma iniciativa fortalece as organizações, outra amplia conhecimentos e capacidades; ao mesmo tempo em que a assistência técnica qualifica a produção e outra aproxima produtores de mercados mais competitivos para criar novas possibilidades de renda. Nesse processo, a pesquisa e a inovação também contribuem para encontrar respostas aos desafios da região.

 

O olhar de quem vivem no bioma

Organizações mais fortes = capacidade para construir soluções coletivas

Fortalecer as OSPs é também criar condições para que as próprias organizações reconheçam seus desafios, definam suas prioridades e tracem caminhos para alcançar seus objetivos. Com o apoio do Projeto, esse processo ganhou forma nos Planos de Negócios, que permitiram a cada organização olhar para sua própria realidade, identificar onde queria chegar e definir como avançar, seja na busca por mais autonomia, no aprimoramento da produção ou na ampliação de conhecimentos e capacidades.

Uma das etapas desse planejamento foi definir os investimentos que poderiam gerar benefícios para toda a organização. Cada OSP contou com até R$ 300 mil para aplicar em infraestrutura, bens e serviços de uso coletivo. E esses recursos se traduziram na entrega de mais de 50 benefícios coletivos pelo Projeto, como embarcações, tratores, viveiros, materiais de escritório e outros equipamentos. Além disso, cada organização pôde acessar até R$ 100 mil em serviços e consultorias para fortalecer sua gestão e atuação, por meio da Assistência Técnica Organizacional (ATO).

Resultados já gerados 

30 Planos de Negócios construídos. 

✅+50 Benefícios coletivos entregues.  

Ao fortalecer a estrutura coletiva, o Projeto contribui para que as organizações estejam mais preparadas para desenvolver sua produção, buscar mercados e aproveitar as novas oportunidades.

Conhecimento técnico + saberes tradicionais = produção mais preparada para as oportunidades de mercado

Ao mesmo tempo em que as organizações produtivas são fortalecidas, as famílias produtoras e agroextrativistas recebem Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) adaptada às características de cada território e às oportunidades específicas da cadeia produtiva. A proposta combina conhecimento técnico e saberes tradicionais para apoiar uma produção mais qualificada, sustentável e pronta para atender às demandas do mercado. 

Resultados já gerados 

✅ 87 Dias de Campo realizados. 

✅ 100 Visitas de acompanhamento. 

✅ 223 ATECs capacitados. 

✅+ 40 mil ha manejados pelas comunidades. 

 

Formação acadêmica ampliada + sensibilização da sociedade = ampliação da capacidade de resposta aos desafios climáticos e de sustentabilidade

O Programa de capacitação do Projeto também acontece de maneira transversal às demais frentes. Ao promover acesso a  conhecimento sobre gestão de recursos naturais, mudanças climáticas  e cadeias produtivas sustentáveis, o Projeto contribui para ampliar a capacidade de produtores, organizações, pesquisadores e sociedade como um todo para compreender mais profundamente os desafios locais e pensar soluções para seus territórios.

Na prática, essa frente reúne as duas edições do Mestrado Profissional em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia, parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), os cursos EaD Introdutório, aberto a toda a sociedade, e Avançado sobre mudanças climáticas e cadeias produtivas sustentáveis, realizados em parceria com o Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho, realizados também em formato presencial.

Ainda, mais recentemente, o Programa Puxirum da Amazônia ampliou os diálogos sobre produção sustentável na Amazônia. Também desenvolvido em parceria com o Canal Futura, o programa conta com oito episódios, conduzidos pela jornalista Valéria Almeida, e reúne produtores, especialistas, representantes do governo e do mercado para mostrar, de forma próxima e acessível, como sustentabilidade, geração de renda e conservação da floresta podem caminhar juntas. Assista aqui

 
Resultados já gerados 

✅1187 inscritos no EaD Introdutório.

✅223 ATEcs inscritos no EaD Avançado.  

✅44 estudantes dos Mestrados. 

✅21 Polos presenciais do Mudanças Climáticas e Cadeias Produtivas Sustentáveis na Amazônia, realizados em 2026.

✅ 8 episódios do Programa Puxirum, disponíveis aqui.

 

Essas ações aproximam a sociedade de diferentes temáticas sobre sustentabilidade, ampliando a capacidade de compreender os desafios climáticos e até mesmo de buscar soluções para o contexto amazônico e outros biomas do país. 

Produção sustentável + acesso a mercados = novas oportunidades de geração de renda

O fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis também depende de acesso a mercados capazes de reconhecer e valorizar o que é produzido na floresta. Por isso, enquanto as organizações são fortalecidas, a produção recebe assistência e novos conhecimentos são disseminados, a frente de Cadeia e Mercado atua para ampliar as oportunidades das famílias produtoras e sua inserção em mercados competitivos, tanto privados quanto institucionais.

Na prática, essa atuação aproxima os produtores de parceiros, compradores e consumidores por meio de diferentes estratégias, como feiras de relevância internacional, rodadas de negócios, seminários de capacitação e acesso a políticas públicas de compras. A publicação Destravando Mercados Sustentáveis complementa esse trabalho ao reunir conhecimentos e caminhos para ampliar a presença dos produtos da sociobiodiversidade em diferentes mercados.

Resultados já gerados 
✅3 Seminários sobre Mercados Institucionais.
✅+ 10 Participações em Feiras.
✅Lançamento da publicação Destravando Mercados Sustentáveis.

Ao fortalecer essas conexões, o Projeto ajuda a criar condições para que os produtos da sociobiodiversidade amazônica alcancem novos públicos e tenham seu valor reconhecido, gerando renda para quem vive deles.

Inovação e pesquisa = novas respostas para desafios amazônicos

A atuação do Projeto também abre espaço para novas formas de responder aos desafios da Amazônia. Enquanto conhecimento, assistência técnica, fortalecimento das organizações e acesso a mercados ajudam a tornar cadeias produtivas mais sustentáveis e ampliam as oportunidades de renda, a pesquisa e inovação contribui para encontrar soluções para os desafios que surgem no meio do caminho para a sustentabilidade. 

Para isso, o Projeto lançou o Edital de Inovação e Pesquisa para apoiar iniciativas voltadas a desafios das cadeias produtivas trabalhadas pelo Projeto nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia. A chamada destinou R$1,8 milhão para até nove propostas, com foco em sociobioeconomia, economia circular, agregação de valor e tecnologias ligadas à agricultura de baixa emissão de carbono. Uma forma de encontrar soluções para diferentes desafios encontrados no biomas, como agregar valor à produção, formas de beneficiamento, aproveitamento de subprodutos, melhores condições de trabalho e acesso a mercados. 

Assim, o impacto do Projeto ganha força porque ações são realizadas com quem conhece e vive na floresta. Ao longo de quatro anos, o PRS – Amazônia aproximou pessoas, organizações, empresas, universidades, governo e mercado de novos caminhos para um desenvolvimento que valoriza a sociobiodiversidade amazônica. Esse movimento construiu e deixou de legado conhecimentos, estruturas e conexões que vão continuar fortalecendo as comunidades e contribuindo para um futuro mais sustentável.

Neste Dia da Amazônia, o Projeto celebra as pessoas que, todos os dias, fazem a sustentabilidade acontecer no bioma!

O PRS – Amazônia é resultado da Cooperação Técnica aprovada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com recursos do Financiamento Internacional do Clima do Governo do Reino Unido, tendo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como beneficiário institucional e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) como responsável pela sua execução. Saiba mais em: https://prsamazonia.org.br/

 

 

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