OSPs do Pará recebem última oficina de Planos de Negócios

O objetivo foi validar as estratégias de curto, médio e longo prazo e priorizar aquisição de benefícios coletivos para o desenvolvimento das organizaç

Com o propósito de fortalecer a gestão das organizações, valorizar a produção local e ampliar o acesso a mercados, o Projeto Rural Sustentável – Amazônia iniciou, neste mês, a última rodada de atividades para a construção dos Planos de Negócios, das Organizações Socioprodutivas (OSPs) das cadeias produtivas do cacau e do açaí, no Pará. O intuito desta rodada foi validar conjuntamente as estratégias de curto, médio e longo prazo definidas anteriormente e priorizar os investimentos que contribuirão para o desenvolvimento coletivo dessas organizações. Durante as oficinas, também foram realizadas atividades práticas para que os associados e associadas consigam implementar os Planos de Negócios no seu dia a dia. Vem conferir como foi! 

Antes, relembre como as OSPs chegaram até aqui 

Desde o ano passado, as OSPs têm percorrido a trilha de Planos de Negócios com o objetivo de entender conjuntamente suas aspirações e definir caminhos para concretizar os principais anseios. Esse processo envolveu a construção de um diagnóstico por OSP, para mapear as principais dificuldades, lacunas e potencialidades do seu contexto. Depois, elaboraram o Plano de Ação e outro de Comunicação, contendo as estratégias de curto, médio e longo prazo, que vão servir como um guia até atingir seus objetivos. As organizações também construíram um Plano de Investimento, que indicou onde investir e quais as melhorias necessárias para o desenvolvimento de toda a comunidade. 

Neste contexto, o Plano de Investimento será importante porque muito em breve as OSPs poderão acessar até R$300 mil para investir em infraestrutura e/ou bens e serviços, que deverão ser utilizados em benefício de todos da comunidade. Além disso, poderão acessar até R$100 mil em serviços e consultorias adicionais para fortalecer as organizações – chamados de Assistência Técnico Organizacional (ATO), pelo Projeto. Mas, para que esses recursos sejam acessados, é importante ter todos os investimentos devidamente especificados no Plano de Negócios. 

Na cadeia produtiva do açaí, associados(as) já sabem quais passos dar para alcançar os objetivos coletivos

No mês de março, a equipe de campo do Projeto percorreu os municípios paraenses de Cametá, Abaetetuba e Acará para encontrar com os associados e associadas de três OSPs da cadeia do açaí: a Associação de Preservação do Meio Ambiente do Rio Mupi (APREMARMU), a Associação Multissetorial dos Empreendedores de Beja (AMSETEB) e a Associação dos Moradores e Agricultores Remanescentes de Quilombolas das Comunidades de Santa Quitéria e Itacoãozinho (AMARQUISI). No total, mais de 80 pessoas participaram das oficinas para validar as ações planejadas e priorizar os investimentos especificados nos Planos de Negócios. 

Um dos associados da APREMARMU, Neto Castro, conta que as oficinas de Planos de Negócios ajudaram a sua organização a traçar um caminho em busca dos seus objetivos.“Eu até tinha ideias, mas não sabia como executar. Mas com esse Plano de Negócios, vocês abriram um horizonte que clareou os nossos pensamentos e, principalmente, os nossos desejos. Hoje, nós aprendemos um pouco, ainda não aprendemos tudo, mas que a gente tenha a oportunidade de aprender mais futuramente. Fico muito agradecido!”, destacou. 

Segundo a monitora de campo, Bruna Luz, é esse sentimento durante as oficinas, de gratidão pela parceria construída, desde a etapa de diagnóstico até a validação dos Planos de Negócios. “Nas três organizações da cadeia do açaí, o que mais me chamou atenção foi o sentimento de gratidão. É unânime a fala no sentido de que estão saindo dessas oficinas com uma outra mentalidade, tanto no âmbito da organização como no âmbito pessoal de aprendizados, que irão levar pra vida” ela conta.

Associada da APREMARMU preenchendo a ferramenta de gestão, com as atividades, metas e tempo de execução, definidas no Plano de Negócios

Além validações e priorizações, os associados e associadas preencheram a ferramenta de gestão, idealizada pelo Projeto, para que todas as pessoas que fazem parte da organização consigam visualizar os objetivos, as metas, o tempo de execução, os status das atividades e quem será responsável por conduzir cada ação. Essa ferramenta será importante para que todo o coletivo esteja na mesma página e consiga contribuir ativamente no desenvolvimento da organização. 

E, agora, com os Planos de Negócios estão validados, as organizações têm um caminho personalizado que pode ser visualizado com mais clareza sobre o que querem, como querem e o que precisam fazer para conquistar cada um dos seus objetivos. Estamos falando de colocar em prática anseios antigos, relacionados a aprimorar a gestão, acessar novos mercados e valorizar o trabalho e a produção das pessoas produtoras e agroextrativistas da cadeia do açaí. 

Para as OSPs da cadeia do cacau, o Plano de Negócios é o ponto de partida rumo às conquistas 

As mesmas atividades implementadas na cadeia do açaí foram adaptadas ao contexto local e produtivo da cadeia do cacau, mais especificamente na Cooperativa Agrícola dos Empreendedores Populares de Igarapé Miri (CAEPIM), no município de Igarapé-Miri, e na Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF), em São Félix do Xingu. Muito em breve serão realizadas oficinas com a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) e com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Município de Altamira (STTR), que seguem outra lógica. 

Givanildo Guimarães, presidente da CAEPIM, ressalta a importância da parceria com o Projeto na valorização da cultura do cacau e no amadurecimento organizacional da OSP. “Depois de passar por três oficinas, a gente concluiu o Plano de Negócios. Então, é um Projeto que para nós vai trazer vários benefícios, é um complemento que nós não temos aqui na região amazônica. Para nós, é uma satisfação muito grande. Acreditamos que só depende de nós agora, dos nossos esforços, porque já temos a base para dar o pontapé inicial. É um projeto coletivo que vai favorecer muito a gestão da cooperativa e todo o processo da cadeia do cacau”, concluiu.

Givanildo Guimarães, presidente da CAEPIM

A jornada para a elaboração dos Planos de Negócios foi trilhada com respeito à cultura local, à história e diversidade produtiva das organizações da cadeia do cacau. Para Cláudia Olimpo, monitora de campo do Projeto, essa foi uma trajetória de escuta, diálogo e crescimento conjunto pensando em cada uma das aspirações das organizações. “Lá no início, na primeira oficina, as prioridades eram outras, mas, a partir de todo esse processo de construção, de validação, de abertura de opinião entre lideranças e os cooperados, foi observado que alguns anseios não estavam tão longe de acontecer, já outros precisavam de mais urgência. Então, é muito interessante ver o quanto as organizações se desenvolveram desde o nosso primeiro primeiro”, destaca. 

Confira o que vem a seguir 

Agora que os Plano de negócios das OSPs da cadeia do cacau e do açaí foram validados junto às organizações, será feita a solicitação para aquisição dos benefícios coletivos e dos serviços de assistência técnica organizacional, com foco no fortalecimento das organizações. Cada etapa significa um passo em direção a realização de muitas das aspirações das OSPs. Continue nos acompanhando por aqui, para não perder os desdobramentos dessas histórias!

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